ESTAVA NA HORA DE FAZER UMA FAXINA
Vamos imaginar uma casa. Não uma casa qualquer. A nossa casa. Aquela casa onde a sujeira foi se acumulando aos poucos.
Um pouco de
poeira aqui, uma bagunça ali, uma coisa quebrada acolá. E, como ninguém queria
assumir a responsabilidade, fomos fechando as portas dos cômodos e fingindo que
estava tudo bem.
Até que
chegou uma hora em que não dava mais para esconder.
Aí alguém
gritou:
— Gente,
está na hora de fazer uma faxina!
Isso lá por
volta de 2015.
E é aí que
começa o problema. Porque todo mundo quer a casa limpa, mas quase ninguém quer
pegar na vassoura.
Na política,
é exatamente assim. Todo mundo reclama. Todo mundo aponta a sujeira. Todo mundo
diz que está indignado.
Mas quando
chega a hora de participar, acompanhar, cobrar, fiscalizar e escolher com responsabilidade,
aparece a velha frase:
— “Política
não é comigo.”
Como não é?
A casa é
sua! Aqui entenda-se Brasil.
Você paga as
contas dessa casa. Trabalha para mantê-la de pé. Coloca comida dentro dela.
Paga
impostos para que ela funcione.
E depois diz
que não quer saber quem está mexendo nos móveis?
Ora, tenha
paciência!
Se você não
participa da faxina, não pode reclamar quando encontra sujeira debaixo do
tapete.
E política
brasileira, convenhamos, parece aquela casa onde alguém descobriu que é muito
mais fácil empurrar a sujeira para debaixo do tapete do que limpar.
O problema é
que uma hora o tapete fica tão alto que tropeçamos nele.
E quando
isso acontece, começa a procura pelo culpado.
— Quem fez
isso?
— Quem
deixou chegar a esse ponto?
— Quem
estava cuidando da casa?
A resposta
talvez esteja justamente diante do espelho. Porque democracia não funciona com
morador ausente.
Não basta
aparecer na porta da casa de tempos em tempos, fazer uma escolha e depois
desaparecer.
É preciso
acompanhar.
É preciso
perguntar.
É preciso
cobrar.
É preciso
fiscalizar.
E,
principalmente, é preciso não tratar político como dono da casa.
Político é
administrador. O dono é o povo.
E
administrador que sabe que ninguém está olhando pode começar a achar que a casa
é dele.
É por isso
que a faxina precisa começar pelo princípio mais simples:
Ninguém está
acima da obrigação de prestar contas.
Não importa
o cômodo.
Não importa
o tamanho da sala.
Não importa
quem está sentado na cadeira.
Se existe
sujeira, precisa ser limpa.
Se existe
erro, precisa ser corrigido.
Se existe abuso,
precisa ser questionado.
Se existe
desperdício, precisa ser denunciado.
E se existe
alguma coisa que não serve mais, talvez seja hora de colocá-la para fora.
Mas atenção:
faxina de verdade não é trocar os móveis de lugar.
Não é passar
um pano por cima.
Não é jogar
perfume na sala para esconder o mau cheiro.
Faxina de
verdade é abrir as janelas, levantar os tapetes, mexer nos cantos e colocar
tudo às claras.
E talvez
seja justamente isso que uma democracia saudável exige.
Não uma
multidão de torcedores.
Cidadãos.
Gente que
não entregue sua consciência a partido, político, ideologia ou discurso bonito.
Gente que
saiba elogiar quando acertam e cobrar quando erram.
Porque, no
final das contas, existe uma verdade que ninguém consegue escapar:
o Brasil é a
nossa casa.
E casa
abandonada não fica limpa sozinha.
Então,
leitor, o recado é simples:
Ontem grande
parte da população brasileira pegou a vassoura (voto) e fez uma boa limpeza,
mas falta terminar a faxina que foi iniciada.
A faxina da
casa pública não pode ser responsabilidade apenas de quem está dentro dela.
Quem mora na
casa também precisa cuidar.
Porque, se
deixarmos tudo por conta dos outros, amanhã não adianta reclamar da sujeira.
Afinal,
quando a casa é nossa, a faxina também é.
E quem deu o
primeiro grito de que estava na hora de fazer uma faxina não pôde participar do
mutirão de limpeza.
Jair Messias Bolsonaro.
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