Em 15 de setembro, uma ministra do STF afirmou estar “ envergonhada ”, e pediu desculpas. Estou envergonhada. E isso basta? Confesso que a frase me chamou atenção. “Estou envergonhada” disse. Não foi dita numa mesa de bar, numa roda de amigos ou numa conversa de corredor. Foi pronunciada no plenário do Supremo Tribunal Federal, pela ministra Cármen Lúcia, diante de uma crise que ela própria reconheceu estar produzindo um “ mal-estar cívico ” entre os brasileiros. E talvez essa seja uma das frases mais importantes ditas recentemente dentro daquela Corte que já foi uma das instituições mais respeitada juntamente com o Exército Brasileiro. Mas fica uma pergunta que o cidadão comum não consegue evitar: Estar envergonhada basta? Porque o brasileiro conhece bem essa história. Quando alguma coisa dá errado, alguém pede desculpas. Quando a conta chega, alguém lamenta. Quando a situação fica insustentável, aparece uma palavra bonita: “constrangimento”. Mas, e depois? Depois a vida continua. E a...
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