Imagine que você chegasse em casa e descobrisse que alguém sem ser dono dela, resolveu guardar a chave no próprio bolso e passou a decidir quem entra, quem sai e o que pode ou não pode acontecer ali. Você provavelmente perguntaria: “Mas quem deu a essa pessoa o direito de fazer isso?” Pois é. É mais ou menos essa sensação que certas situações da política brasileira provocam em quem está do lado de cá — o cidadão que acompanha as notícias, paga seus impostos, trabalha, cria os filhos e tenta entender o que está acontecendo em Brasília. Foi nesse contexto que uma frase do Senador Carlos Viana chamou minha atenção: “A chave do Senado não pertence ao Supremo. Não pertence ao governo. E muito menos pertence a quem ocupa temporariamente a Presidência desta Casa.” Pode parecer apenas uma frase política. Mas não é. Existe nela uma pergunta muito maior: quem, afinal, é o dono do poder? A resposta, em uma República, deveria ser simples: ninguém. O Supremo tem seu papel. O governo tem seu papel....
Serras de Minas
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