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O pinheiro-brasileiro (Araucaria angustifolia) está com os dias contados se a lógica de mercado no campo não mudar. Ameaçada de extinção e com projeções de perda severa de habitat até 2070, impulsionada pelo desmatamento histórico e pelas mudanças climáticas, a espécie acaba de ganhar um reforço financeiro. 

O Governo de São Paulo lançou o PSA Araucária, um edital de Pagamento por Serviços Ambientais desenhado para remunerar quem protege e multiplica a árvore.

​Como funciona a bioeconomia na prática

​Remuneração direta: O programa vai pagar até R$ 36 mil por produtor rural e R$ 250 mil para organizações sociais e cooperativas. 

O recurso é depositado como recompensa pelo compromisso de conservar árvores pré-existentes, plantar novas mudas, implantar pomares e restaurar Áreas de Preservação Permanente (APPs).

​O polo produtivo: O projeto-piloto está focado no município de Cunha (SP), localizado na Zona de Amortecimento do Parque Estadual da Serra do Mar. A cidade é estratégica: responde por mais de 95% de toda a coleta de pinhão no estado, com uma safra estimada em mais de 368 toneladas para 2026.

​Critério de acesso: Para acessar o fundo, o produtor precisa ter sua situação fundiária e ambiental documentada, o que exige a inscrição regular no Cadastro Ambiental Rural (CAR).

​Por décadas, a legislação precisou ser extremamente restritiva para impedir que a indústria madeireira varresse a Araucária do mapa. O efeito colateral e indesejado dessa proibição estrita foi que muitos proprietários rurais simplesmente pararam de plantar a espécie, enxergando o pinheiro como um "passivo" intocável que apenas engessava o uso da terra.

​A implementação de um PSA inverte completamente essa dinâmica. Ao remunerar o agricultor familiar e fortalecer a cadeia extrativista sustentável do pinhão, o Estado transforma a árvore em um ativo econômico palpável. 

Pagar por serviços ambientais não é caridade governamental, é investimento em resiliência climática. Quando a floresta em pé garante a geração de renda e a fixação do trabalhador no campo, ela deixa de ser um obstáculo para se tornar o melhor negócio da propriedade. 

Uma boa ideia! Minas podia copiar o modelo. 

​Fonte: Fundação Florestal

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