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A cada momento somos bombardeados com notícias envolvendo autoridades, disputas entre os Poderes da República, denúncias, escândalos, investigações e decisões que muitas vezes parecem incompreensíveis para o cidadão comum e tudo isso acaba provocando uma pergunta inevitável:
Ainda podemos ter esperança no Brasil?
Eu acredito que sim. Porque mesmo diante de ameaças e muita pressão ainda temos homens nesse meio que não se curva e procuram fazerem com que a lei seja aplicada e a justiça seja feita independente de quem esteja envolvido.
Mas esperança não significa fingir que nada está acontecendo. Não significa defender políticos ou autoridades simplesmente porque pertencem ao grupo com o qual simpatizamos. Muito pelo contrário! Nosso papel como sociedade não é defender os erros cometidos.
E muito menos significa fechar os olhos para possíveis erros, abusos ou irregularidades.
Ter esperança é acreditar que podemos melhorar justamente porque ainda somos capazes de questionar e isso precisamos fazer.
Uma democracia saudável não precisa de cidadãos que concordem com tudo. Precisa de cidadãos atentos, conscientes e dispostos a cobrar explicações daqueles que tem o poder nas mãos.
Executivo, Legislativo e Judiciário possuem funções diferentes e devem respeitar os limites estabelecidos pela Constituição. Nenhuma autoridade deveria estar acima da lei. Mas no Brasil infelizmente temos.
E quando surgem dúvidas ou denúncias, é fundamental que sejam investigadas com seriedade, rgor, transparência e respeito ao devido processo legal.
O problema começa quando passamos a acreditar que a justiça depende de quem está sendo julgado somente porque não gostamos da pessoa.
Se alguém comete um erro, deve responder por ele. Se uma denúncia é falsa, deve ser esclarecida.
Se houver corrupção, abuso de poder ou qualquer outra ilegalidade, que os responsáveis sejam responsabilizados — independentemente do cargo, do partido ou da ideologia.
E é justamente aí que precisamos tomar cuidado. Não podemos querer justiça somente quando ela atinge nossos adversários e reclamar dela quando alcança aqueles que admiramos.
A lei precisa valer para todos. O Brasil é muito maior do que seus políticos e suas autoridades. É maior do que os partidos. É maior do que as crises que atravessamos.
O Brasil é formado por milhões de pessoas que acordam cedo, trabalham, estudam, criam seus filhos, pagam impostos, empreendem, cuidam de suas famílias e continuam acreditando que o amanhã pode ser melhor.
São essas pessoas que não podem perder a esperança. Também não devemos esperar por um "salvador da pátria", isso não existe.
A mudança de que o Brasil precisa não virá apenas de Brasília.
Ela começa também nas nossas escolhas, na maneira como participamos da sociedade, na forma como votamos e, principalmente, na nossa disposição de fiscalizar quem recebe o poder para nos representar.
Político não é ídolo. Autoridade não é dona do país. Poder não é propriedade particular.
Todos passam.
Os cargos passam.
Os governos passam.
Mas o Brasil permanece.
Por isso, mesmo diante das notícias que nos decepcionam, prefiro continuar acreditando.
A esperança não está em acreditar que tudo está bem.
A esperança está em acreditar que podemos fazer com que fique melhor.
Que possamos continuar cobrando transparência sem ódio, justiça sem vingança, liberdade com responsabilidade e democracia com respeito.
Porque desistir do Brasil talvez seja exatamente isso que muitos querem que façamos.
O Brasil ainda tem jeito.
Mas para isso, precisamos de cidadãos que não sejam cegos pela paixão política, nem silenciosos diante dos erros.
Precisamos aprender a defender princípios — e não pessoas.
E talvez essa seja a nossa maior esperança:
um Brasil onde ninguém esteja acima da lei, onde o poder seja exercido em nome do povo e onde a verdade não tenha partido.
DEUS ABENÇOE O BRASIL!

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