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| Imagem/web |
Isso mexeu com minhas lembranças em um passado muito distante, anos 60, e boa parte dos anos setenta que nem mesmo o tempo consegue apagar.
É a nostalgia de uma época simples, onde as noites nas casas eram iluminadas pela velha e boa lamparina de querosene, e tinha as de azeite de mamonas, feito em casa. A vida, ah, essa parecia caminhar sem pressa, em outro ritmo.Lembro, ainda dos bailes na roça, das noites de sanfoneiro, conversa e alegria e muitas vezes caminhávamos longas distancias para se chegar até lá.
Às vezes era preciso enfrentar a escuridão das estradas de terra. Em alguns caminhos já conhecíamos cada buraco, o bom mesmo era quando tínhamos a lua brilhando para facilitar os passos.
Mas isso não diminuía o ânimo das pessoas que se aventuravam para chegar ao destino planejado. (Quando começou a modernizar começou as radiolas a pilhas, mas isso é assunto para outra hora).
Vamos voltar à lamparina. Dentro de casa, naquela época, ela fazia parte da rotina e nas noites de baile não era somente uma, mas várias, a quantidade delas dependia do tamanho do salão em que o baile estava sendo realizado.
A fumaça e a fuligem subiam, e como sabemos tudo que sobe desce e essa fuligem descia impregnando o ambiente e deixando as narinas pretas, com uma crosta. Se você tiver mais de 50 anos vai lembrar.
No final do baile a roupa também estava toda suja pela fuligem da lamparina, mas isso era apenas mais um detalhe de uma vida sem luxo, mas cheia de histórias.
Talvez não tivéssemos tanta coisa, mas tínhamos encontros, amizades, vizinhança e momentos que hoje parecem preciosos.
O passado não volta, mas permanece vivo na memória. E, quando a nostalgia bate, percebemos que algumas das maiores riquezas da vida não estavam nas coisas que possuíamos, mas nas experiências simples que vivemos e que o tempo jamais conseguirá apagar.
A lamparina continua acesa em nossa memória. A diferença é que essa lamparina invisível não produz fuligem.

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