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"Deus que me conceda esses últimos desejos – paz e prosperidade para o Brasil"

Fotografia post-mortem 
D. Pedro II Imperador do Brasil em seu leito de morte, feita pelo fotógrafo parisiense Felix Nadar, no dia 6 de dezembro de 1891.
Desde a morte da esposa, em 28 de dezembro de 1889, o imperador no exílio passou a maior parte dos seus últimos meses residindo no Hotel Bedford, na capital francesa.
Recusando-se a receber qualquer provento do recém-implantado governo republicano brasileiro, D. Pedro sobreviva principalmente dos poucos objetos de valor de que dispunha e da ajuda financeira de amigos. Sua saúde declinava a olhos vistos, mas mesmo assim não quis morar com a princesa imperial, D. Isabel, no Château D'Eu.

Numa manhã do início de dezembro de 1891, D. Pedro II, que acabara de completar 66 anos, resolveu fazer uma caminhada às margens do rio Sena, a despeito da baixa temperatura e do seu fraco estado clínico.
O monarca retornou ao hotel passando mal e foi rapidamente levado para seu quarto. Com o passar dos dias, o resfriado evoluiu para um quadro de pneumonia, que o levou a óbito às 00h35 do dia 05.
A princesa Isabel, agora imperatriz no exílio, a princípio, queria uma despedida singela para seu pai. Ironicamente, a República Francesa, berço da Revolução Liberal, lhe concedeu um funeral com honras de Chefe de Estado.
O corpo, elegantemente fardado, foi colocado sobre um estrado. As barbas longas, que se tornaram sua marca registrada, penteadas e arrumadas com produto, para ficarem firmes.

D. Pedro II era reconhecido internacionalmente como um rei filósofo. Durante toda a vida, manteve contato com os principais estadistas e cientistas do período. Boa parte deles estava lá para prestar condolências à família imperial.

Seu corpo seguiu em cortejo fúnebre na mesma carruagem que em 1824 transportou o caixão do rei Luís XVIII. Diversos membros da realeza europeia estavam presentes na cerimônia realizada na Igreja de la Madeleine, como o rei Francisco II das Duas Sicílias, a rainha Isabel II da Espanha e Luís Filipe de Orléans, conde de Paris (os três destronados, assim como o imperador brasileiro).
Também estavam presentes membros da Academia Francesa, do Instituto da França, da Academia de Belas Artes e de Inscrição.

Todas instituições que eram extremamente respeitadas pelo monarca. Em seguida, o corpo seguiu num comboio para Lisboa, onde foi sepultado no Panteão dos Bragança, no Mosteiro de São Vicente de Fora.

Por ocasião do aniversário de 100 anos da Independência do Brasil, em 1922, os corpos de D. Pedro II e de sua esposa, D. Teresa Cristina, retornaram para o Brasil, depois que o decreto de banimento da família imperial foi revogado.

Hoje, repousam na Catedral de São Pedro de Alcântara, em Petrópolis-RJ. O último desejo do imperador foi que um pacote que ele guardava, contendo um punhado de terras de cada Província/Estado brasileiro, fosse colocado dentro de seu caixão.

O embrulho era mantido pelo monarca para o caso de falecer longe do país onde veio ao mundo 66 anos antes. Suas últimas palavras antes de dar o último suspiro teriam sido: "Deus que me conceda esses últimos desejos – paz e prosperidade para o Brasil".

Texto: Renato Drummond Tapioca Neto
Colorização: Rainhas Trágicas - Mulheres, Guerreiras, Soberanas 

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