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A coragem nem sempre aparece em gritos ou gestos grandiosos

Tammie Jo Shults
O Voo 1380 da Southwest Airlines tornou-se um dos acidentes aéreos mais marcantes dos Estados Unidos na década de 2010. O incidente ocorreu em 17 de abril de 2018, quando um Boeing 737-700 voava de Nova York para Dallas com 149 pessoas a bordo. 

Cerca de 20 minutos após a decolagem, a aproximadamente 9.900 metros de altitude (32.500 pés), uma das pás do ventilador interno do motor esquerdo se rompeu provocando uma explosão não contida do motor, lançando fragmentos contra a fuselagem e uma janela da cabine.

A quebra da janela causou a despressurização. As máscaras de oxigênio foram acionadas automaticamente, enquanto a aeronave sofreu fortes vibrações e perda de desempenho.

A única vítima fatal foi a passageira Jennifer Riordan que estava sentada próxima à janela atingida. Ela sofreu ferimentos gravíssimos durante a despressurização. 

Outros passageiros tentaram socorrê-la e realizaram reanimação cardiopulmonar, mas ela não sobreviveu. Foi a única vítima fatal; outras pessoas tiveram ferimentos leves.

A comandante Tammie Jo Shults, ex-piloto de caça da Marinha dos Estados Unidos, e o co-piloto Darren Lee Ellisor conduziram uma descida de emergência e desviaram a aeronave para o aeroporto da Filadélfia. 

O pouso ocorreu com segurança cerca de 22 minutos após a falha do motor. A atuação da tripulação foi amplamente elogiada e considerada decisiva para salvar 148 vidas.

A investigação da National Transportation Safety Board concluiu que a causa principal foi a ruptura de uma pá do motor por fadiga metálica. 

O acidente apresentou semelhanças com outro incidente da própria Southwest ocorrido em 2016, levando a novas exigências de inspeção dos motores CFM56 utilizados em centenas de aeronaves Boeing 737. 

O voo 1380 foi o primeiro acidente fatal envolvendo uma companhia aérea comercial dos Estados Unidos desde 2009. Após o ocorrido, fabricantes, companhias aéreas e autoridades aeronáuticas reforçaram procedimentos de inspeção e manutenção para evitar falhas semelhantes.

O caso também ficou conhecido pela serenidade da comandante Tammie Jo Shults, cuja atuação foi frequentemente comparada à de pilotos que realizaram pousos de emergência históricos.

Quando a imprensa a chamou de heroína, ela preferiu resumir tudo com humildade: “Foi um trabalho de equipe”.

Sua história lembra que a coragem nem sempre aparece em gritos ou gestos grandiosos. Às vezes, ela surge como uma voz calma no meio do caos, mantendo firme o controle quando tudo parece perdido.

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