![]() |
| Imagem: Felipe Sampaio/STF |
Não morreu o Supremo Tribunal Federal. Mas ontem, 15 de setembro de 2026, alguma coisa morreu dentro dele.
Talvez tenha sido o silêncio respeitoso entre seus ministros. Talvez tenha sido aquela imagem de uma Corte acima das disputas, onde as divergências terminavam no voto e não em acusações públicas.
Ou talvez tenha sido algo ainda mais importante: a confiança de uma parcela da sociedade de que, quando os ministros do Supremo entram em conflito, existe uma instituição suficientemente forte para separar o interesse público das disputas internas.
O que o Brasil viu ontem não foi um funeral com caixão. Foi um funeral de simbolismos.
De um lado, ministros defendendo posições diferentes sobre processos que envolvem os próprios integrantes da Corte.
De outro, acusações, respostas e confrontos públicos. O julgamento sobre a tramitação dos casos relacionados a Alexandre de Moraes e André Mendonça acabou suspenso após o pedido de vista de Flávio Dino.
E talvez seja justamente aí que esteja a parte mais preocupante.
Quando o cidadão comum olha para uma instituição da República, ele não deveria precisar escolher qual ministro está certo.
Ele deveria poder confiar na instituição.
Porque Justiça não pode depender da simpatia que alguém tenha por este ou aquele ministro.
Nem pode parecer uma disputa de grupos.
O Supremo existe para julgar conflitos da República.
Mas, quando os próprios integrantes da Corte passam a protagonizar conflitos que chegam ao plenário, a pergunta inevitavelmente chega à porta de cada brasileiro:
Quem julga os julgadores?
Ontem, Fachin falou em colegialidade, independência e respeito às regras processuais. E isso é exatamente o que uma democracia espera de sua Suprema Corte.
Mas instituições não vivem apenas de discursos.
Vivem de credibilidade.
E credibilidade é como um espelho: pode levar anos e ficar inteiro e apenas alguns minutos para rachar e talvez muita dificuldade para juntar os cacos.
O funeral de uma imagem do STF.
A instituição continua de pé.
Os ministros continuam lá. Alguns não deveria.
Os processos continuam.
Os votos continuarão sendo dados.
Mas a pergunta que ficou para o cidadão brasileiro é muito maior:
quanto da confiança depositada na instituição saiu daquele plenário junto com os ministros?
Porque quando a Justiça perde a confiança de quem precisa acreditar nela, não é apenas a Justiça que perde.
É a própria República que empobrece.

Comentários
Postar um comentário
Aviso: Prezado leitor: o seu comentário é de sua exclusiva responsabilidade, conforme dispõe o Marco Civil da Internet. O fato de ser utilizado o anonimato, não o exime de responsabilidade, porque a qualquer momento seu IP pode ser levantado judicialmente e a identidade do autor surgirá de maneira clara. O editor apenas disponibiliza sua via, sua estrada, para que o leitor utilize-a, mas não tem qualquer responsabilidade em relação aos conteúdos aqui disponibilizados.