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Quando você cria um monstro, o que pode esperar dele?

Imagem gerada por IA
Há uma pergunta que deveria ser feita antes de qualquer decisão política: o que poderá acontecer amanhã com o poder que estamos entregando hoje?

Porque monstros não costumam nascer monstros. Às vezes começam pequenos. 

Quase inofensivos. São criados com uma justificativa aparentemente razoável: 

● combater um problema, proteger uma instituição, defender a democracia, garantir a ordem, enfrentar um adversário e STF foi criado exatamente para defender as leis e zelar pela constituição.

E, enquanto tudo parece conveniente, poucos se preocupam com o tamanho que aquele poder poderá alcançar. O Supremo Tribunal Federal foi se tornando cada vez mais poderoso ao ponto dele próprio rasgar a constituição que deveria defender por meio de alguns de seus membros. 

O problema começa quando aquilo que foi criado para enfrentar uma ameaça passa a ter força suficiente para definir quem é a ameaça. E foi exatamente isso que o STF fez. Para o STF a direita brasileira era um perigo para a democracia relativa que ele passou a defender. 

É nesse momento que a criatura deixa de ser instrumento e começa a se tornar protagonista.

A história política, em diferentes épocas e países, oferece exemplos de poderes que foram ampliados em nome de uma emergência e, depois, tornaram-se difíceis de limitar e isso está acontecendo no Brasil nos últimos oito anos. 

A justificativa quase sempre parece urgente. O perigo, inevitável. A excepcionalidade, necessária salvar a democracia e a soberba nacional. 

Mas há uma pergunta que permanece:

Quem controla quem?

Quem criou o mecanismo ainda consegue desligá-lo?

Quem deu autoridade ainda consegue estabelecer seus limites?

Quem aplaudiu quando o poder atingiu o adversário continuará aplaudindo quando esse mesmo poder chegar à sua porta?

Essa talvez seja a parte mais incômoda da história.

Muita gente não se preocupa com o excesso de poder enquanto acredita que ele está sendo usado contra o seu inimigo.

O problema é que o poder não vem com dono permanente.

Hoje pode atingir quem você combate. Amanhã pode atingir quem você defende. Depois de amanhã, pode atingir você.

Por isso, em uma democracia, instituições fortes não são aquelas que simplesmente têm muito poder. São aquelas que aceitam limites, controles, transparência e responsabilidade.

Porque o verdadeiro perigo não está apenas em quem ocupa o poder.

Está também na tentação de criar instrumentos poderosos demais acreditando que, no futuro, serão utilizados somente pelas mãos certas.

A política, porém, não oferece essa garantia.

Governantes mudam. Ministros mudam. Maiorias mudam. Partidos mudam. Circunstâncias mudam.

Mas os mecanismos de poder permanecem.

E talvez seja essa a grande lição:

Se você ajuda a criar um monstro para derrotar o seu adversário, não deveria ficar surpreso quando descobrir que o monstro não reconhece aliados.

Ele simplesmente continua crescendo.

E, quando finalmente alguém pergunta quem será capaz de contê-lo, talvez seja tarde demais.

Por isso, antes de comemorar a força que hoje é usada contra o outro, talvez valha a pena pensar no amanhã.

Porque a pergunta nunca deveria ser apenas:

“Contra quem esse poder será usado?”

A pergunta verdadeiramente importante é:

Que poder estamos criando — e quem poderá controlá-lo quando já não estiver nas mãos daqueles em quem confiamos?”

Essa é a diferença entre confiar em pessoas e confiar em instituições.

Pessoas passam.

O poder fica.

E um monstro, depois de criado, raramente aceita voltar para a jaula.

Comentários

  1. São como poderes demoníacos

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  2. Sim! O STF se tornou o monstro e o único que tem poder de derrubar o monstro é o Senado que é comandado por um homem que alimentou o monstro e agora tem medo de encará-lo.

    ResponderExcluir

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