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| Escultura (Melancolia) do artista romeno Albert György |
Hoje vamos falar sobre dois vazios - um político e outro espiritual traçando um paralelo muito forte entre eles. Um assunto pouco debatido e explorado, talvez poucos tenham interesse por que vai tratar de algo vazio e é aí que o assunto fica interessante.
Em ambos os casos, quando falta um princípio que dê direção, alguém ou alguma coisa acaba ocupando esse espaço que se encontra vago. Tente colocar um saco vazio em pé. Você não irá conseguir.
Primeiro vamos explorar o vazio político.
Esse é um tipo de vazio que não aparece nos filmes, nas fotos estampadas nos jornais e revistas que circulam. É o vazio do ser humano que ninguém vê e não tem como ser mostrado.
Que não se mede por pesquisas, discursos ou números. É o vazio que nasce quando uma sociedade perde suas referências - quando uma pessoa perde o sentido de sua própria existência.
Esse vazio político, ele surge quando a política deixa de ser compreendida como instrumento de serviço ao cidadão e passa a ser vista como instrumento de poder. Então esse vazio não pode ser visto mas pode ser sentido.
Quando faltam princípios, responsabilidade, ética, compromisso com o bem comum o espaço é ocupado pelo personalismo, pela disputa de interesses e pela desconfiança.
E há uma consequência perigosa: quando o cidadão deixa de acreditar nas instituições, começa a acreditar apenas em pessoas.
Da mesma forma no campo espiritual, acontece algo semelhante e esse as consequências são eternas e não temporal.
O vazio espiritual aparece quando o ser humano se afasta de Deus e tenta preencher a alma com aquilo que o mundo oferece.
E o que o mundo oferece? Poder, dinheiro, reconhecimento, prazeres, sstatus social ou até mesmo uma religiosidade sem transformação.
O problema é que essas coisas podem ocupar o tempo, mas não necessariamente preenchem o coração vazio.
Na Bíblia encontramos o seguinte texto:
“De que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” Marcos 8:36
Talvez aqui esteja o ponto de encontro entre os dois vazios: Uma sociedade sem princípios pode produzir um poder sem limites.
Uma pessoa sem Deus pode buscar preencher sua alma com aquilo que nunca poderá preenchê-la, por isso muitos tiram a própria vida, dando fim em sua existência terrena.
O vazio político pede instituições fortes, leis respeitadas, ética e responsabilidade.
Enquanto o vazio espiritual pede o reencontro com Deus, fé verdadeira, valores e propósito.
Podemos ainda fazer uma reflexão mais profunda: não podemos esperar que a política resolva aquilo que é essencialmente espiritual, nem podemos usar a religião para justificar aquilo que é essencialmente político.
Cada esfera tem sua responsabilidade. Mas, o ser humano que ocupa uma cadeira no Congresso Nacional, um gabinete em um tribunal, uma prefeitura ou qualquer outra posição de autoridade continua sendo, antes de tudo, um ser humano — com consciência, valores e responsabilidades diante de Deus e dos homens.
No fim, talvez a pergunta mais importante não seja apenas:
Quem está ocupando o poder? Mas também:
O que está ocupando o coração de quem está exercendo o poder?
Porque quando falta caráter no homem, nenhuma instituição é suficientemente forte para impedir todos os abusos.
E quando falta Deus no coração do homem, nenhuma conquista é suficientemente grande para acabar com o vazio da alma.
Podemos ainda usar a parábola da casa vazia contada por Jesus no evangelho de Mateus 12:43-45. Um espírito imundo sai de uma pessoa e vaga por lugares secos à procura de descanso.
Como não acha repouso, ele decide voltar para a pessoa (a casa) de onde havia saído. Ao chegar acha o lugar limpo e em ordem, mas vazio — ou seja, sem a presença de Deus para protegê-lo.
Vai embora e traz consigo outros sete espíritos piores do que ele para morar ali, deixando a pessoa em uma situação pior do que no início. Pense nisso!

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