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Talvez, no começo, você nem percebesse.
Uma pequena restrição aqui. Uma nova regra ali. Sempre com
uma justificativa aparentemente razoável: segurança, ordem, proteção,
necessidade de proteger a democracia.
E, enquanto você segue vivendo sua rotina, aquilo que ontem
parecia impensável começa a fazer parte do seu dia a dia até que chega um
momento que bate o medo e você já não tem mais coragem de abrir a boca para
dizer mais nada a não ser: sim senhor, não senhor!
É assim que a liberdade de um povo pode ser reduzida: não necessariamente de uma vez, mas aos poucos, até que a perda pareça normal. Por isso, essa reflexão não é apenas sobre governo. É sobre cada um de nós.
Até que ponto estamos dispostos a abrir mão da nossa
liberdade em nome de uma promessa de segurança? Em que momento deixamos de
questionar? E o que acontece quando o silêncio passa a ser mais confortável do
que a coragem de perguntar?
A liberdade que você tem hoje não deve ser tratada como algo
garantido para sempre.
Porque aquilo que uma sociedade deixa de defender hoje pode
ser exatamente aquilo que fará falta amanhã. Isso começou, no Brasil, a partir
de 2019 por meio, principalmente de um homem, Alexandre de Moraes, ministro do
Supremos Tribunal Federal para fragilizar o governo.
“Um dia vieram e
levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu,
não me incomodei.
No dia seguinte,
vieram e levaram
meu outro vizinho que
era comunista.
Como não sou
comunista, não me incomodei.
No terceiro dia vieram
e levaram meu vizinho
católico.
Como não sou católico,
não me incomodei.
No quarto dia, vieram
e me levaram;
já não havia mais
ninguém para reclamar...”
Martin Niemöller
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