Quando um homem se declara vítima é, assume o papel de acusador, conduz a investigação, profere a sentença e ainda executa a punição, ele pode ser classificado como autoritário e arbitrário. É alguém que concentra em si o poder de decidir quem está certo e quem deve ser condenado. Dependendo do contexto, também podemos classificá-lo como:
Juiz em causa própria que acredita que sua versão dos fatos é suficiente para determinar a culpa daquele que está em suas mãos.
É autoritário e não admite limites ao próprio poder nem aceita ser contrariado em suas decisões e quem discordar também merece ser punido.
É arbitrário, age segundo a própria vontade, ignorando regras, provas ou garantias.
Perseguidor porque transforma a acusação em instrumento de punição e todos que no mínimo não pensa como ele deve ser punido.
Tirano é aquele que usa o poder sem limites, sem respeito aos direitos dos outros e sem aceitar controles.
Há uma expressão que resume bem essa situação: concentração absoluta de poder nas mãos de uma só pessoa.
Afinal, quando alguém reúne os papéis de vítima, acusador, investigador, juiz e carrasco ao mesmo tempo, surge uma pergunta inevitável.
Quem poderá protegê-lo de uma injustiça se essa mesma pessoa decidir que alguém é culpado?
Na tradição jurídica, essa situação contraria um princípio fundamental: ninguém deve ser juiz da própria causa.
A investigação, a acusação e o julgamento precisam respeitar competências distintas, o direito de defesa e o devido processo legal.
E aqui está a reflexão mais contundente:
Quem acusa não pode presumir que é dono da verdade.
Quem investiga não pode escolher antecipadamente o culpado.
Quem julga não pode agir movido pela própria vontade. E quem detém o poder de punir precisa, acima de tudo, estar submetido à lei.
Porque, quando um homem passa a se considerar a própria lei, deixa de ser apenas alguém que exerce o poder e começa a agir como se estivesse acima dele.
E o perigo começa justamente quando aquele que deveria obedecer à lei acredita que pode ocupar o lugar dela.
Precisei mais uma vez me dirigir a uma agência do anco e carrasco.
Você conhece ou já ouviu falar de alguém assim?

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