![]() |
| Senador Cleitinho Azevedo |
Na política brasileira, tem gente que parece trocar de camisa sem nem sair do lugar. Basta mudar o assunto, e lá está o político tentando explicar por que ontem disse uma coisa e hoje está falando de outra.
O caso de Cleitinho Azevedo merece atenção.
De um lado, ele declara apoio a Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. De oagora afirma que, se Lula vencer, vai procurá-lo para dialogar e defender os interesses de Minas Gerais.
Além disso, defende propostas que considera favoráveis à população, mesmo quando elas encontram resistência entre aliados políticos. Inclusive o senador Cleitinho, agora eleito governador de Minas Gerais teve um encontro com Davi Alcolumbre oferecendo apoio na escala 6 x 1.
E aí, leitor, como entender essa movimentação?
Vamos separar as coisas. Apoiar um candidato não significa concordar com todas as suas posições.
Conversar com um adversário também não significa, necessariamente, tornar-se aliado dele. Um governador precisa manter diálogo institucional com o presidente da República, seja ele quem for.
Até aí, tudo compreensível.
Mas existe uma pergunta que o eleitor tem o direito de fazer: onde termina a independência política e começa a conveniência?
Porque o cidadão comum está cansado de discursos que mudam conforme o vento.
O trabalhador não pode mudar de opinião sobre o próprio salário conforme a conveniência do chefe.
O comerciante não pode administrar seu negócio como quem troca de lado a cada oportunidade. E o político, embora tenha o direito de rever posições, precisa explicar suas escolhas com clareza.
Não basta dizer que está do lado do povo. É preciso mostrar isso nas atitudes, nas decisões e nos compromissos assumidos.
E aqui está o ponto central: o eleitor não exige que um político seja inimigo de Lula para ser aliado de Flávio, nem que concorde com Flávio para discordar de Lula. Exige coerência, transparência e responsabilidade.
Política não é campeonato de torcida. O Brasil não precisa de políticos que concordem com tudo o que diz o próprio grupo, mas também não pode aceitar que qualquer mudança de posição seja justificada apenas com frases de efeito.
Se Cleitinho defende uma proposta de Lula porque acredita que ela beneficia o povo, que explique seus motivos. Se apoia Flávio Bolsonaro, que esclareça os compromissos desse apoio.
E, se discordar de ambos, que tenha a mesma disposição para dizer isso publicamente.
O mandato pertence ao povo, não aos candidatos apoiados.
No fim das contas, fica o recado ao leitor: não julgue um político apenas pelo nome que ele apoia, nem se deixe convencer por uma declaração isolada.
Observe o conjunto das atitudes, confira os fatos e cobre explicações.
Porque, na política, mudar de opinião é um direito. Mudar de discurso sem explicar os motivos é que levanta dúvidas.
E o eleitor, esse sim, tem todo o direito de perguntar: afinal, qual é a posição que Cleitinho sustenta — e quais são os compromissos que está disposto a assumir para defendê-la?

Comentários
Postar um comentário
Aviso: Prezado leitor: o seu comentário é de sua exclusiva responsabilidade, conforme dispõe o Marco Civil da Internet. O fato de ser utilizado o anonimato, não o exime de responsabilidade, porque a qualquer momento seu IP pode ser levantado judicialmente e a identidade do autor surgirá de maneira clara. O editor apenas disponibiliza sua via, sua estrada, para que o leitor utilize-a, mas não tem qualquer responsabilidade em relação aos conteúdos aqui disponibilizados.